Certificação de peso

 

Oficina da construtora Odebrecht, especializada em reparo de veículos pesados, conquista certificações técnica e ambiental, tornando-se referência em melhores práticas
Por Alexandre Carvalho dos Santos
Fotos: Alexandre Martins Xavier

Uma oficina muito diferente das que você vê pela cidade. Assim é a oficina da construtora Odebrecht, em Guarulhos (SP). A manutenção ali é dedicada especialmente a veículos pesados, muito pesados, como guindastes usados em obras de prédios, por exemplo. Um reparo de um veículo desse tipo pode levar até seis meses para ser concluído, envolvendo desmontagem, a participação de terceiros no reparo de um motor ou outra peça cuja manutenção não seja ali, e a montagem do veículo completo.

Por isso mesmo, não se trata de um lugar com muito volume de veículos passando pela oficina. Por outro lado, a qualidade do serviço é fator-chave para que elementos tão importantes em grandes obras tenham um funcionamento sempre perfeito.


Mas o que levou a Odebrecht a procurar a certificação do CESVI para sua oficina foi um motivo que vai além dessa necessidade. A área de gestão de equipamentos da empresa quer disseminar uma cultura de melhores práticas por todo o setor. E escolheu justamente a oficina como ponto de partida, para ser uma referência em excelência para toda a empresa. Os trabalhos de consultoria e adequação aconteceram em 2009, e a oficina conquistou logo duas certificações do CESVI: a técnica e a ambiental.
“Já há alguns anos, trabalhamos para dar uma melhoria técnica e de processos na área de gestão e manutenção de equipamentos”, explica Raul Cancegliero, gerente de equipamentos da empresa. “Mas precisávamos de um modelo que fosse um exemplo, para a organização inteira, de quais são as melhores práticas em manutenção. Então analisamos que a oficina seria o início dessa melhoria tanto de pessoal como de estrutura e processo. Fizemos uma pesquisa de mercado para saber quem seria o melhor parceiro para uma consultoria nesse sentido e chegamos ao CESVI.”Mudança de comportamento
A adequação para a certificação começou logo com um trabalho voltado para a organização, com melhorias de controles e de processos. Na análise de Raul, a oficina da Odebrecht já estava evoluída suficientemente para conquistar a certificação. Mas faltava um aprimoramento em processos, armazenamento, limpeza e descarte. “O CESVI nos ajudou a formalizar trabalhos na oficina e estabelecer um padrão”, aponta o gerente. Na parte de meio ambiente, a oficina teve foco em práticas e controles da gestão de resíduos.

Segundo Raul, quando se fala em melhorar a organização da empresa, estamos falando também em mudança de comportamento. E isso envolve dois fatores: tempo e treinamento. “É um processo que você tem de deixar amadurecer ao longo do tempo, mas também precisa ficar alimentando com treinamento da mão de obra. Hoje, após essas certificações, nossa equipe já está extremamente madura. Por exemplo: antigamente, algumas situações inadequadas dentro da oficina, como equipamentos fora de lugar e questões de limpeza, não costumavam incomodar os profissionais aqui dentro. Agora, qualquer peça fora do lugar certo ou um ambiente menos limpo do que deveria ser já incomoda muito qualquer um. É uma mudança de cultura, que leva imediatamente a uma mudança de comportamento no dia a dia.”

 

Cada coisa no seu lugar

Hoje, na oficina da Odebrecht, tudo está devidamente organizado e separado. Nada sobra. Esse trabalho de organização fica muito evidente na área de ferramentaria, onde há até uma foto-modelo, mostrando para todos os colaboradores onde deve ficar cada peça. Segundo Raul Cancegliero, antes a oficina tinha o costume de ir guardando peças que, no dia a dia, não tinham muita utilidade. Agora, só fica à disposição imediata dos profissionais as peças que realmente são usadas.

A mesma organização se vê na instalação de estantes para peças grandes. A organização é total, e a facilidade de acesso é visível.
O sistema de pintura também mudou graças à certificação. “Tínhamos um sistema convencional, passamos para um modelo ‘airless’, em que não há um compressor e não funciona pela pressão do ar para impulsionar a tinta. O sistema agora é movido por uma bomba de alta pressão. Com isso, diminuímos a névoa produzida no spray da pintura, minimizando o risco de ter um comprometimento ambiental e também o desperdício de tinta”, afirma Raul.
 
Carimbo verde em tudo
As melhorias voltadas para a certificação ambiental foram muitas. Hoje, a oficina da Odebrecht faz jus ao selo verde conquistado. E é muito importante constatar que, no caso deles, a preocupação com a ecologia não é só marketing da empresa. “Não fizemos essas adequações ‘para inglês ver’”, ressalta Raul. “Fazemos questão que essa mentalidade faça parte da nossa cultura e da de todos os integrantes da nossa equipe, não importa qual o grau hierárquico da pessoa. Você precisa encarar a questão ambiental de frente, integrá-la ao seu processo de produção e trazer isso para você, transformando em um valor da empresa.”
 

Desde a certificação, a oficina tem um reciclador de solvente. Com isso, agora consegue recuperar 85% do seu solvente usado na operação de pintura, reduzindo o descarte de forma significativa e ainda conseguindo uma economia de material.

A empresa também já conta com um separador de água e óleo. Desta forma, já pode liberar uma água mais limpa para o meio ambiente. A meta agora é conseguir fazer o reaproveitamento dessa água. “Como a nossa estrutura aqui não é nova, o custo para implantar o reuso da água ainda inviabiliza esse processo. Mas continuamos estudando uma alternativa para conseguir fazer esse reuso, que consideramos muito positivo”, explica o gerente de equipamentos.Além dos fluidos, a empresa se preocupa também com os resíduos sólidos. Tudo o que é produzido desse tipo de resíduo – de lâmpadas a material proveniente do refeitório – é separado em uma área específica, para em seguida ser coletado por empresas especializadas em descarte correto do ponto de vista ambiental. A Odebrecht vai além das exigências da legislação nessa área.

A visita que os profissionais da empresa fizeram ao CESVI, na época da certificação, ainda rendeu uma ideia que foi implantada na oficina deles. Raul viu no centro de pesquisa um lavador de peças com tratamento de bactérias. Gostou tanto do equipamento que adquiriu um para a Odebrecht. “Esse equipamento elimina em 100% os resíduos de solventes para desengraxar peças. E a consciência disso fez também com que nós passássemos a trabalhar com um desengraxante menos agressivo do que aquele que tínhamos antes. Você vai percebendo que, com pequenas ações na oficina, é possível para a empresa melhorar tanto a questão ambiental quanto na redução dos riscos à saúde do trabalhador. São iniciativas fundamentais para qualquer empresa com consciência ecológica”, conclui.

Essencial
Para o gerente de equipamentos da Odebrecht, a certificação é um passo fundamental para empresas voltadas ao reparo de veículos. “Atualmente, num trabalho envolvido com manutenção e reparo, é inevitável você partir para uma certificação. Você precisa ter isso como perspectiva. O mercado demanda, a sociedade demanda, a sua própria equipe pede que você tenha padrões e um posicionamento mais adequado na sua atividade. É imprescindível, você ter uma visão mais ampla do seu negócio. Para mim, o investimento que fizemos na certificação foi muito pequeno em relação a todos os resultados que estamos tendo.”

Consultoria mostra o caminho
Interessados nos serviços de consultoria do CESVI podem entrar em contato pelo e-mail negocios@cesvibrasil.com.br, ou pelo telefone (11) 3948-4847

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