Modismo ou necessidade? Essa era a pergunta que a capa da edição número 2 da Revista CESVI fazia aos nossos leitores, 15 anos atrás. E ela estava se referindo a um serviço que o Centro de Experimentação e Segurança Viária oferece até os dias de hoje: consultoria.
A pergunta, na época, tinha razão de ser. A modernização do setor de reparação estava começando, as oficinas estavam diante de novas tecnologias e processos, com os quais nunca tinham sonhado. Era hora de se preparar para evoluir rápido e de forma sustentável, ou perder o bonde da história.
E para isso as reparadoras precisavam de apoio e orientação.
Na época, ainda não se sabia bem quais eram os objetivos das consultorias que estavam surgindo no mercado. Seria uma tendência passageira, surfando na onda daquela necessidade de momento? Ou seria uma resposta consistente à atenção de que o mercado precisava para se capacitar?
O tempo provou que a consultoria pode ser uma grande parceira das oficinas. Mas depende de como isso é feito.
DEPENDIA DO PRODUTO VENDIDO
No momento em que o CESVI decidiu lançar sua consultoria técnica, em 1998, os demais consultores voltados para o setor de reparação eram ligados a marcas de produtos para oficinas. E isso, claro, tem uma consequência óbvia: por mais bem intencionada que fosse, a consultoria tendia a adequar os processos da oficina aos produtos da marca que estava oferecendo o serviço.
Algumas fazem isso até hoje, às vezes com bons resultados, embora limitados a determinadas áreas da oficina.
Só que as reparadoras precisavam de muito mais. Buscando atender as seguradoras, elas precisavam de mão de obra treinada, estrutura eficiente e processos que permitissem, por exemplo, fazer o reparo dentro dos tempos combinados com as companhias. Precisavam de orientação para o planejamento das áreas de serviço, e de um layout de processos que melhor se adaptasse à estrutura disponível.
Só combinando capacitação técnica com layout produtivo, a oficina poderia desenvolver os trabalhos de forma organizada, reduzindo seus custos operacionais.
Quando começou a oferecer a consultoria, o CESVI identificou que grande parte das oficinas estava acostumada a um estilo de trabalho que limitava sua capacidade de produção. Era preciso mudar conceitos – algo que não se faz do dia para a noite.
CENÁRIO ATUAL
Hoje, as necessidades das oficinas são bem diferentes das daquele momento, de princípio de modernização. O mercado encolheu, ficaram principalmente as que souberam se adaptar aos novos tempos – as que investiram, que treinaram, que ousaram. A consultoria não precisa mais ensinar o básico. Chegou a hora de ir além disso.
Atualmente, oficinas e concessionárias estão em busca de estratégias e ferramentas de gestão. Isso envolve medir os resultados, controlar as metas traçadas, indicadores de qualidade… um acompanhamento próximo de todos os índices voltados ao processo de produção.
Outra necessidade de hoje em dia diz respeito a um problema nacional: a falta de mão de obra especializada. Segundo pesquisa do Ipea, a reparação automotiva é, junto do setor de comércio, o segmento que mais sofre com escassez de profissionais especializados. Sem ter quem contratar, as oficinas começam a capacitar seus próprios colaboradores para assumir outras funções. E aí surge a necessidade da oficina fazer a retenção desses talentos.
Além desses fatores diretamente ligados ao negócio da reparação, há os correlacionados. É o caso do respeito ao meio ambiente. Cada vez mais, as oficinas precisam se adequar a legislações que exigem estrutura e processos para minimizar o impacto de suas atividades sobre o meio ambiente. Essa é outra questão que está fazendo com que as reparadoras procurem consultorias especializadas.
São novos tempos, novas demandas. A função da consultoria passou de ensinar o bê-á-bá para a de assessorar empresas modernas – que precisam de contínua atualização para permanecer fortes e competitivas.
NO MESMO RITMO DO MERCADO
Ao longo dos anos, a consultoria do CESVI acompanhou a evolução do mercado reparador, reformatando sua oferta de serviços, adequando-se a um novo tempo.
Um exemplo é a incorporação de acompanhamentos financeiros, com a medição de custos, despesas, valor de faturamento… tudo relacionado à atividade de funilaria e pintura.
Muito além do mero acompanhamento, há uma promoção de soluções inteligentes para a redução de despesas fixas – como de energia elétrica. Para isso, são trabalhados projetos de layout pneumático e luminotécnico.
A consultoria também se adiantou a uma das grandes questões do presente e do futuro: a sustentabilidade ambiental. Os consultores do centro de pesquisa avaliam tudo o que se faz de processos ambientais na oficina: descarte de produtos tóxicos, armazenamento, etc.
DIAGNÓSTICO
Principalmente, a consultoria hoje tem uma olhar muito mais aprofundado para a gestão da reparadora. Ou de um conjunto de reparadoras!
Quando o caso é ter uma avaliação abrangente e profunda de toda uma rede de oficinas, o CESVI oferece um serviço de diagnóstico, que traz uma visão gerencial para as oficinas reparadoras. Este serviço tem maior enfoque na visão macro, fornecendo ao cliente (uma seguradora) um mapa das condições técnico-operacionais de sua rede de parceiras.
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DE “CONSULTORIA” PARA “ASSESSORIA”
Seguindo as tendências de mercado, o CESVI decidiu no ano passado alterar o nome de sua consultoria para Assessoria Técnica. Isso porque, agora, além de desenvolver o plano de ação a ser implantado na oficina, os consultores passam a fazer visitas periódicas de acompanhamento e orientação para a implantação dessa estratégia – um serviço que vai além da consultoria.
TEXTO: Natália Souza e Diego Lazari
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