“Qualidade significa fazer certo quando ninguém está olhando.” Ainda atual, a frase de Henry Ford – citada durante o 2º Fórum IQA – é perfeitamente adequada frente à competitividade global, um dos desafios enfrentados pelo setor da qualidade automotiva do País. “Para conquistar a qualidade, todos os segmentos envolvidos têm de se unir mais, pois não bastam ações isoladas”, sintetizou Ingo Pelikan, presidente do IQA (Instituto da Qualidade Automotiva), ao término do encontro realizado no dia 15 de setembro, em São Paulo. Pelikan reforçou a necessidade de montadoras e autopeças estabelecerem um programa mais completo, tendo em vista o desenvolvimento de todos os elos da cadeia.
Constituído de dois painéis e sete palestras, o 2º Fórum IQA reuniu mais de 250 participantes. Na oportunidade, Richard Schwarzwald, diretor de Qualidade Assegurada da Volkswagen, apontou aspectos dos custos bons (e não bons) da qualidade, ao explicar que a insatisfação do cliente é tanto custosa quanto difícil de ser contabilizada.
Amin Alidina, diretor de Qualidade da Fiat Chrysler Latin America, ressaltou a importância da qualidade em todos os segmentos da cadeia automotiva. Já Martin Bodewing, diretor da Roland Berger, reforçou a necessidade de padrões de qualidade internacionais na cadeia.
“Por melhor que seja o produto, se o cliente não estiver satisfeito, é preciso descobrir o motivo”, acrescentou Letícia Costa, da Prada Assessoria, durante explanação sobre os cinco desafios importantes para a melhoria do setor, do fabricante de veículos ao concessionário, em que ponderou as dificuldades para mudar o desempenho da qualidade de um patamar a outro.
O programa de incentivo tecnológico Inovar-Auto foi tema abordado pelos palestrantes Rogério Rezende, vice-presidente da Anfavea, e Margarete Gandini, diretora substituta e coordenadora geral do Departamento de Indústrias de Equipamentos de Transporte do MDIC (Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).
Enquanto Letícia Costa discorreu sobre a política industrial do programa que visa à produção brasileira de veículos com competitividade global, além das novas montadoras aportando no País (Hyundai, DAF, BMW e Chery), Rogério Rezende argumentou que até 2018 serão investidos no Brasil R$ 12 bilhões somente em P&D e engenharia, ano em que o setor deverá exportar um milhão de unidades (18% da produção).
“A cadeia tem de ser toda fortalecida. A metodologia é global, mas a aplicação deve ser local”, disse Cristiane Paixão, diretora de Qualidade da Fiat Automóveis, no painel de que participou também Bruno Neri, gerente de Qualidade Corporativa da Bosch.
Se por um lado, o conjunto de boas práticas (normas) deve ser seguido por todos, avaliou Leandro Siqueira, diretor de Qualidade da MAN Latin America, durante sua exposição, de outro Flávio Mateus, diretor executivo da Schaeffler, opinou que o problema também passa pela educação. “Quanto mais descemos na cadeia produtiva, maior a deficiência de formação básica e de compromisso. As empresas têm de qualificar o funcionário, culminando por encarecer o produto. A deficiência em educação, ou a falta dela, é um dos motivos por não sermos tão competitivos”, analisou.
Entre as novidades apresentadas no encontro, Alfredo Lobo, diretor da Divisão de Avaliação da Conformidade do Inmetro, falou sobre o Centro de Tecnologia Automotiva do órgão em Xerém (RJ) – que até o final deste ano deverá envolver aporte de R$ 50 milhões. Lobo tratou ainda do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBE), que permite ao consumidor comparar a eficiência energética dos veículos. Em 2009, o PBE analisou 31 modelos de cinco marcas, sendo que este ano o número subiu para 538 modelos, de 35 marcas.