A qualidade precisa avançar no Brasil. Essa é uma condição básica para que a nossa indústria se torne cada vez mais competitiva em nível global e aumente a sua capacidade de exportação. Um dos caminhos para desenvolver o nosso potencial de crescimento, é justamente intensificar a inovação e o aculturamento para a qualidade dentro da cadeia de todos os setores da economia.
No caso do automotivo, em parceria com as comissões de qualidade da Anfavea e do Sindipeças, o IQA – Instituto da Qualidade Automotiva, tem fomentado discussões sobre a necessidade da capacitação técnica para o aprimoramento da qualidade em sistemas, processos e produtos. Aqui, a qualidade não é entendida obrigatoriamente como competência de uma área específica, mas como essência.
Um dos temas vinculados à capacitação técnica que está em discussão é a própria formação acadêmica. A nossa proposta, é estabelecer diálogo com as comissões de recursos humanos das instituições de ensino superior, para identificar o que se oferece de formação acadêmica na atualidade que é alinhada às demandas da indústria.
Entendemos hoje que o aculturamento para a qualidade, precisaria ser introduzido já na formação básica dos futuros profissionais porque facilitaria a absorção desse compromisso. Para isso, vamos buscar uma aproximação com as entidades correlacionadas para verificar se hoje há alternativas na grade escolar que possibilitem essa formação.
A sensibilidade para a qualidade é um fator primordial para o avanço da indústria. Talvez no exterior essa sensibilidade já esteja mais ajustada dentro da indústria. Isso porque, nesses lugares essa percepção para a qualidade já vem justamente na formação da criança.
Outro tema em discussão é o complemento que a indústria oferece ao profissional. Em contratações, matrizes de treinamento fazem a capacitação dos colaboradores conforme a cultura da empresa. Quanto melhor qualificado chegar o profissional, mais fácil fica essa primeira fase de treinamento dentro da organização.
A terceira questão que temos debatido, são os cursos de especialização que envolvem, por exemplo, os treinamentos em ferramentas da qualidade exigidas pelas montadoras e demais empresas do setor automotivo.
Na busca constante de ser um órgão sustentável para a qualidade da cadeia automotiva, o IQA assume o papel de provocar essas discussões para identificar oportunidades de melhoria, e ajudar a desenvolver um plano de ação robusto por entender que o aculturamento para a qualidade, é um dos caminhos para alavancar a nossa indústria.
TEXTO: Ingo Pelikan, presidente do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva