MECÂNICA | Riscos de usar um único combustível no flex

 

Muita gente diz que, quando um veículo flex usa por muito tempo um combustível só, o motor acaba tendo problemas. Mas será que é verdade?

Na teoria, não deveria ser. O flex tem um dispositivo chamado “sensor lambda”, responsável por informar ao módulo de injeção se a mistura entre combustível e ar está ok. Se tiver mais combustível, a mistura está rica. O módulo de injeção faz as contas e corrige a quantidade de combustível a ser injetada para que ocorra uma queima completa.

Então, quando o tanque está apenas com gasolina, a relação ideal é de 13,1 partes de ar para uma parte gasolina. No etanol, são 9 partes de ar para uma de álcool. Então, na teoria, qualquer que seja o combustível usado, o módulo estará sempre pronto para corrigir a mistura e o ponto de ignição.

Mas na prática não é bem assim. E a culpa não é do sistema flex, e sim da qualidade dos combustíveis brasileiros. O etanol adulterado produz uma goma, melado de açúcar. Quando esse melado endurece, faz um estrago nos bicos injetores, nas roscas das velas, na boia de combustível, na bomba de combustível e no filtro de combustível.

A gasolina adulterada é ainda pior, pois essa adulteração é feita com vários produtos químicos agressivos, como solventes, que provocam danos em retentores e anéis vedadores, bomba de combustível, boia do tanque, velas, entre outros itens.

Por isso, mude o combustível a cada 4 ou 5 tanques. A gasolina costuma limpar a maioria das impurezas do etanol, enquanto o álcool age de forma adstringente nas impurezas da gasolina adulterada. Um anula os defeitos do outro.

Fonte: G1
Foto: Rafael Neddermeyer

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