O motivo mais básico: ter uma avaliação de como o veículo se comportaria numa eventual colisão em baixa velocidade. Mas as razões pela procura dos ensaios de impacto do CESVI BRASIL por parte das montadoras vão bem além disso. E, entre esses motivos, a análise estrutural e a questão dos preços das peças ganham destaque. É o que você vai ver agora.
ANÁLISE ESTRUTURAL
Essa análise feita pelo CESVI tem como objetivo estudar os pontos de deformação do veículo, as peças afetadas, os componentes de absorção de impacto e os itens que facilitam o reparo.
Com isso, o centro de pesquisa auxilia as montadoras sugerindo tecnologias voltadas para a absorção de impactos – que minimizam os danos ao veículo numa colisão de trânsito.
Um exemplo, frequentemente recomendado pelo CESVI, é a travessa frontal com crash-box, componente que tem deformação programada. Ao absorver parte da energia do impacto de uma batida, essa travessa reduz os danos em outros componentes adjacentes – como a longarina. Resultado: o reparo fica mais fácil, menos peças são substituídas e, consequentemente, o custo do trabalho na oficina fica menor.
Além da travessa com crash-box, o CESVI costuma recomendar o seguinte (no que diz respeito à reparabilidade):
– Absorvedores de impacto do para-choque: têm a mesma função da travessa com crash-box, e geralmente são utilizados junto com a travessa de modo a melhorar a absorção de energia do impacto.
– Que a montadora ofereça peças parciais ou kits de reparo: se a montadora utiliza uma ponta da longarina, por exemplo, torna-se possível substituir apenas essa peça parcial no caso de uma colisão atingir a longarina – item de custo bem inferior ao da peça integral. Além disso, o reparo fica mais rápido.
PREÇOS DE PEÇAS
Outra etapa do estudo CAR Group é a análise dos preços de peças do veículo. Essa avaliação leva em conta tanto as peças danificadas pela colisão – e que precisam ser substituídas – quanto o valor da cesta básica de peças. (Essa cesta é o conjunto das 15 peças mais substituídas após uma colisão de trânsito.)
Em relação a esse trabalho, a montadora informa ao CESVI o valor das peças que serão substituídas no reparo ou das que estão dentro da lista da cesta básica. Em seguida, o CESVI analisa os preços dessas peças e, dependendo do caso, a possibilidade de a montadora reduzir esses valores, de modo a conseguir uma colocação melhor no ranking CAR Group (que compara veículos de uma mesma categoria quanto à facilidade e ao custo do reparo). Veículos bem posicionados nesse ranking chamam a atenção das seguradoras, que estudam estabelecer custos menores de seguro para esses modelos.
REDUÇÕES CHEGAM A 40%
Confira alguns exemplos de redução de preços de peças obtida graças às avaliações do CAR Group. (Não mencionamos aqui os nomes dos veículos por um acordo de confidencialidade com as montadoras.)
VEÍCULO 1
Cesta básica de peças
Antes do CAR Group: R$ 26.010,76
Após o CAR Group: R$ 15.143,92
Redução: 42%
Peças danificadas no impacto dianteiro
Antes do CAR Group: R$ 11.504,52
Após o CAR Group: R$ 7.651,22
Redução: 33%
Peças danificadas no impacto traseiro
Antes do CAR Group: R$ 4.196,01
Após o CAR Group: R$ 3.346,10
Redução: 20%
VEÍCULO 2
Peças danificadas no impacto dianteiro
Antes do CAR Group: R$ 8.801,11
Após o CAR Group: R$ 6.995,57
Redução: 20%
Os valores informados nas tabelas acima são calculados no mês de lançamento dos veículos. Mensalmente, o CESVI faz atualizações desses valores – um trabalho permanente de cálculo e acompanhamento.
ESTREITAMENTO DE RELAÇÃO ENTRE SEGURADORA E MONTADORA
Os resultados do estudo CAR Group são apresentados para as seguradoras, levando às companhias informações técnicas sobre os veículos recém-lançados – ou seja, que ainda não são muito conhecidos pelo mercado.
Essa troca de informações aproxima das empresas de seguro os esforços feitos pelas montadoras em prol de uma melhor reparabilidade – uma interação que o CESVI torna possível e que é benéfica para toda a cadeia automotiva.
O QUE É O CAR GROUP?
Trata-se de um índice gerado por meio do estudo de reparabilidade feito pelo CESVI. Tudo começa nos crash-tests que seguem padrões internacionais de ensaios de impacto de baixa velocidade (norma RCAR). Esses testes reproduzem os impactos que ocorrem com maior frequência no dia a dia.
Graças ao estudo, o centro de pesquisa consegue identificar a classificação do veículo e sua posição do ranking CAR Group, que serve como critério de comparação tanto para as seguradoras quanto para o consumidor final – que tem todo o interesse em dar preferência a um veículo que tende a ter um reparo e um seguro mais baratos.
Entre os benefícios desse estudo para as montadoras, destacam-se os seguintes:
– A possibilidade de atuar na busca de um menor custo de serviço de funilaria e pintura para cada veículo estudado.
– A diminuição dos preços de peças.
– Desenvolvimento de peças parciais ou kits específicos para o reparo, oferecendo soluções mais baratas aos clientes no caso de uma colisão.
– A possível redução do custo do reparo e do seguro.
– Veículos mais sofisticados do ponto de vista da reparabilidade.
TEXTO: Emerson Farias
Matéria publicada originalmente na edição 110 da Revista CESVI.